Modismos

Wednesday, December 14, 2005

Aceitação

O jovem de hoje é visto como “descolado”, “antenado” com o mundo e acima de tudo livre, será mesmo?A resposta é: sim e não.
Sim, porque atualmente, os jovens têm mais opções para escolher o que vestir, como se comportar, a profissão que irão exercer no futuro, além da sexualidade que tem sido discutida de forma mais aberta, coisas que foram negadas as gerações passadas. E não, porque essa aparente liberdade gera grandes dúvidas e conflitos, sobretudo entre os jovens que estão em fase de transição para a vida adulta. E tomar decisões nesse momento torna-se um suplício, pois na hora do “vamo ver” não é fácil decidir se o que deve prevalecer são os valores herdados e defendidos pelos pais ou o comportamento adotado pelo grupo.
Segundo a professora Ana Cláudia Bortolozzi Maia, do departamento de Psicologia da Unesp de Bauru é nesse momento de dúvida que os jovens para se sentirem inseridos no grupo, acabam adotando certos comportamentos, como consumir bebidas alcoólicas e drogas, vestir determinado estilo de roupa, ou assumir determinados comportamentos sexuais, sem estarem de fato preparados para assumir as possíveis conseqüências de suas escolhas. Além disso, ainda segundo a professora Ana Cláudia essa aparente liberdade sexual não os torna mais livres, pois os jovens não têm informações e orientações suficientes e ainda há muitas dúvidas por parte deles sobre questões biológicas, doenças sexualmente transmissíveis e que atitude tomar em determinadas situações, e pra complicar ainda mais é bom lembrar que vivemos em uma sociedade que ainda dita regras e exige(muitas vezes veladamente)como devemos nos comportar.
É, parece que ser jovem não é tão “light” quanto se pensa. Acham que é fácil escolher se vão sair de cor de rosa dos pés a cabeça ou todo de preto?Se vão ouvir Marilyn Manson ou Chico Buarque?Se estão preparados para perder a virgindade ou não?Se irão estudar música ou física nuclear?E acham que tais escolhas não refletiram no futuro?
Que tal prestarmos mais atenção nos nossos jovens e percebermos que tamanha aflição para parecer diferente, esconde o grande desejo de ser igual, de ser aceito, devemos olhar com mais condescendência as meninas de rosa e os meninos de preto, pois é necessária essa identificação com o grupo, para que eles se reconheçam no outro e que apesar de parecerem clones uns dos outros, cada um deles tem suas peculiaridades e individualidades que merecem ser respeitadas.


Texto: Jeane Veras

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