ATITUDE OU MODISMO?

A moda se disfarçando de rebeldia
A música aliada ao indústria cultural sempre geraram modas e roupas, muitos artistas hoje até têm pavor de falar do próprio passado. A moda “drag queen” do Twisted Sisters na década de 70 (ou também a “era do laquê”) foi um exemplo de como as pessoas se vestiam para impressionar e para mostrar rebeldia dos artistas perante uma época, hoje alguns desses artistas a posam de machão e “saem no braço” com qualquer um que falar de seu passado "negro."
A moda de se vestir como bicha marcou aquele tempo. Hoje em dia, vamos ser sinceros, não há como evitar o riso quando se vê os antigos clipes e fotos do Poison, The Cure, Bon Jovi, White Lion, Twisted Sisters e tantos outros.
Porém, depois dessa fase veio o contraponto: os laquês foram deixados de lado e ser 'style' era ter o visual atenciosamente desleixado. Camisas com flanela xadrez e roupas bem sujas marcaram o auge do grunge. Até em lugares calorentos do Brasil podia se ver pessoas usando o visual oriundo da fria e chuvosa Seattle.
Agora, com a passagem dessa onda, a nova moda é posar de durão podre: cabelo pintado, corpo com muitas tatuagens e a cara infalível de fodão (tudo isso sem citar os Piercings e dreads às toneladas no corpo). Só que, se comparada com as outras modas, essa nova traz uma perigosa diferença em relação às anteriores: muitas dessas mudanças impostas no próprio corpo são permanentes. O laquê só bastava um pouco d’áqua na cabeça para sair e as camisas de flanela só precisavam de uma boa máquina de lavar. Pórem Piercings e tatuagens, no entanto, podem ter efeitos muito duradouros.
Esse problema reside no fato de muitos jovens estarem seguindo uma moda para se sentirem vanguardistas (revolucionários) e, depois que ela passar, vão carregar essas marcas que talvez nunca mais saiam de seus corpos. O artista faz o que quer consigo e ele próprio até vai rir disso depois, mas e a garotada?
Como essa galera vai estar daqui a dez anos? O que dirão quando virem as fotos desta época? Será que levarão no bom humor ou vão ser motivo de risos, como hoje o são os cabelos black power, as calças boca-de-sino, as jaquetas de franjinhas e outros adereços que já foram de "vanguarda" há alguns anos?
Só para termos uma idéia dessa mentalidade “marqueteira” da coisa, existem até catálogos que "ensina" essa moçada a se vestir com "atitude", a fazer uma “cara de mau” e repetir os gestos das gangs de rua (como se aqui no Brasil já fosse um lugar propício para esse modo de agir). Essa imagem é marketing e essas bandas “da moda” estão fazendo é, pura e simplesmente, vender uma imagem. Todos eles têm passaram a ter uma característica em comum: vendem um estilo vanguardista, rebelde e abarrotado de atitude. Os fãs querem isso, compram o produto (a banda) e o consomem avidamente.
Mas, daqui a um ano ou dois essa onda passa e esse pessoal terá que se adaptar a alguma nova onda para continuar vendendo sua arte (ou seria o seu produto?). Esses tipos de caras criticam toda a galera da grande mídia mas, com as suas devidas diferenças, costumam fazer perfeitamente o mesmo que Xuxa, É O Tchan, Daniela Mercury, Netinho e outros tantos que atuam nesses canais abertos. (ou alguém aqui vai dizer que não).Portanto, você que está lendo esse artigo, a melhor coisa a fazer é ter personalidade própria e ser você mesmo. Não seja um fantoche desse mercado predatório.
Texto: Lucas Mateus


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