Modismos

Thursday, December 15, 2005

ATITUDE OU MODISMO?


A moda se disfarçando de rebeldia

A música aliada ao indústria cultural sempre geraram modas e roupas, muitos artistas hoje até têm pavor de falar do próprio passado. A moda “drag queen” do Twisted Sisters na década de 70 (ou também a “era do laquê”) foi um exemplo de como as pessoas se vestiam para impressionar e para mostrar rebeldia dos artistas perante uma época, hoje alguns desses artistas a posam de machão e “saem no braço” com qualquer um que falar de seu passado "negro."
A moda de se vestir como bicha marcou aquele tempo. Hoje em dia, vamos ser sinceros, não há como evitar o riso quando se vê os antigos clipes e fotos do Poison, The Cure, Bon Jovi, White Lion, Twisted Sisters e tantos outros.
Porém, depois dessa fase veio o contraponto: os laquês foram deixados de lado e ser 'style' era ter o visual atenciosamente desleixado. Camisas com flanela xadrez e roupas bem sujas marcaram o auge do grunge. Até em lugares calorentos do Brasil podia se ver pessoas usando o visual oriundo da fria e chuvosa Seattle.

Agora, com a passagem dessa onda, a nova moda é posar de durão podre: cabelo pintado, corpo com muitas tatuagens e a cara infalível de fodão (tudo isso sem citar os Piercings e dreads às toneladas no corpo). Só que, se comparada com as outras modas, essa nova traz uma perigosa diferença em relação às anteriores: muitas dessas mudanças impostas no próprio corpo são permanentes. O laquê só bastava um pouco d’áqua na cabeça para sair e as camisas de flanela só precisavam de uma boa máquina de lavar. Pórem Piercings e tatuagens, no entanto, podem ter efeitos muito duradouros.
Esse problema reside no fato de muitos jovens estarem seguindo uma moda para se sentirem vanguardistas (revolucionários) e, depois que ela passar, vão carregar essas marcas que talvez nunca mais saiam de seus corpos. O artista faz o que quer consigo e ele próprio até vai rir disso depois, mas e a garotada?

Como essa galera vai estar daqui a dez anos? O que dirão quando virem as fotos desta época? Será que levarão no bom humor ou vão ser motivo de risos, como hoje o são os cabelos black power, as calças boca-de-sino, as jaquetas de franjinhas e outros adereços que já foram de "vanguarda" há alguns anos?
Só para termos uma idéia dessa mentalidade “marqueteira” da coisa, existem até catálogos que "ensina" essa moçada a se vestir com "atitude", a fazer uma “cara de mau” e repetir os gestos das gangs de rua (como se aqui no Brasil já fosse um lugar propício para esse modo de agir). Essa imagem é marketing e essas bandas “da moda” estão fazendo é, pura e simplesmente, vender uma imagem. Todos eles têm passaram a ter uma característica em comum: vendem um estilo vanguardista, rebelde e abarrotado de atitude. Os fãs querem isso, compram o produto (a banda) e o consomem avidamente.
Mas, daqui a um ano ou dois essa onda passa e esse pessoal terá que se adaptar a alguma nova onda para continuar vendendo sua arte (ou seria o seu produto?). Esses tipos de caras criticam toda a galera da grande mídia mas, com as suas devidas diferenças, costumam fazer perfeitamente o mesmo que Xuxa, É O Tchan, Daniela Mercury, Netinho e outros tantos que atuam nesses canais abertos. (ou alguém aqui vai dizer que não).Portanto, você que está lendo esse artigo, a melhor coisa a fazer é ter personalidade própria e ser você mesmo. Não seja um fantoche desse mercado predatório.


Texto: Lucas Mateus

Um “desabafo” vazio (finja entender)


- Eu sei o quão bom posso ser, mas não custa nada saber a sua opinião
- Não Sol, o destino de Edi está atrelado ao seu, como unha e carne

Em nossa era “MTV”, as emoções humanas aparecem como antíteses à razão. Ser racional passou a ser característica de pessoas frias, sem sentimentos. Chorar ao assistir um comercial de margarina, revoltar-se pela quebra de ideais românticos; poderiam ser interpretados como desenvoltura artística, não necessariamente, como um estereótipo de humanidade.

“Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos “ (Anais Nin)

Talvez seja cult ler “O Terceiro Travesseiro” e cair em um desolamento existencial, onde seus pais, seus amigos, o mundo, fedem a carniça. Você olha para as paredes e sente vontade de tocá-las. Tenta sentir suas vibrações e fica certo que ali existe vida. Encolhe-se em sua cama o máximo que pode, esperando que sua vizinha coloque aquela música de Celine Dion, mesmo que você finja odiá-la ... Foi lindo, mas o Oscar não virá para você este ano.

Olhamos as crianças etíopes morrerem de inanição na TV e nos sentimos tristes pelo mundo ser tão injusto. Quem sabe após a segunda rodada de hambúrguer com fritas não nos sintamos melhor. Queria tanto ajudar o mundo, sair por aí em alguma caravana humanitária e salvar dezenas de filhos da fome. Dinheiro não tenho (talvez depois de comprar aquele sapato, penso). Como pôde?!, lágrimas descem copiosamente. Aquele desgraçado do Bush, filho de uma puta. Espero que ele queime no inferno (deveria eu mostrar um pouco de compaixão?).

- Foda-se! Foda-se! Foda-se! (prefiro “dane-se, seu cara de bunda”, mas não quero parecer infantil)

ATITUDE, mesmo que a idéia de auto-suficiência psicológica não dure mais um verão.

Texto: Caio Gurgel

Wednesday, December 14, 2005

Aparências


A boa aparência sempre foi pré-requisito pra algumas profissões, como recepcionista de eventos, comissário de bordo, modelo, etc. No atual momento da história da humanidade, a aparência transcendeu a barreira profissional para chegar à interação entre as pessoas.
Vários motivos levam um grupo de pessoas se juntar, seja afinidades (principalmente as musicais) ou interesses, independente de quais sejam. É aí que as aparências entram.
Com a internet, ficou mais fácil conhecer pessoas com mesmas afinidades ou de aparência que agrade. Milhares de pessoas se conhecem a cada minuto em todo o mundo e muitas vezes, essa amizade passa da virtualidade para a realidade.
Quando isso ocorre, muitas vezes a afinidade não faz essa conversão também. É quando entra em ação a falsidade, tão conhecida dos adolescentes em filmes teens americanos (como Garotas Malvadas).
Filmes como esse, mostram o lado mais vilão da falsidade. Como as aparências dentro de um punhado de amizades pode ser maléfico. Intrigas, comentários pelas costas dos próprios “amigos” são comuns nesse tipo de amizade. Afinal, com a moda influenciando não só o jeito de se vestir de uma pessoa, mas também como o jeito de ser, as aparências são tudo.


Texto: Kavad Thiago

Aceitação

O jovem de hoje é visto como “descolado”, “antenado” com o mundo e acima de tudo livre, será mesmo?A resposta é: sim e não.
Sim, porque atualmente, os jovens têm mais opções para escolher o que vestir, como se comportar, a profissão que irão exercer no futuro, além da sexualidade que tem sido discutida de forma mais aberta, coisas que foram negadas as gerações passadas. E não, porque essa aparente liberdade gera grandes dúvidas e conflitos, sobretudo entre os jovens que estão em fase de transição para a vida adulta. E tomar decisões nesse momento torna-se um suplício, pois na hora do “vamo ver” não é fácil decidir se o que deve prevalecer são os valores herdados e defendidos pelos pais ou o comportamento adotado pelo grupo.
Segundo a professora Ana Cláudia Bortolozzi Maia, do departamento de Psicologia da Unesp de Bauru é nesse momento de dúvida que os jovens para se sentirem inseridos no grupo, acabam adotando certos comportamentos, como consumir bebidas alcoólicas e drogas, vestir determinado estilo de roupa, ou assumir determinados comportamentos sexuais, sem estarem de fato preparados para assumir as possíveis conseqüências de suas escolhas. Além disso, ainda segundo a professora Ana Cláudia essa aparente liberdade sexual não os torna mais livres, pois os jovens não têm informações e orientações suficientes e ainda há muitas dúvidas por parte deles sobre questões biológicas, doenças sexualmente transmissíveis e que atitude tomar em determinadas situações, e pra complicar ainda mais é bom lembrar que vivemos em uma sociedade que ainda dita regras e exige(muitas vezes veladamente)como devemos nos comportar.
É, parece que ser jovem não é tão “light” quanto se pensa. Acham que é fácil escolher se vão sair de cor de rosa dos pés a cabeça ou todo de preto?Se vão ouvir Marilyn Manson ou Chico Buarque?Se estão preparados para perder a virgindade ou não?Se irão estudar música ou física nuclear?E acham que tais escolhas não refletiram no futuro?
Que tal prestarmos mais atenção nos nossos jovens e percebermos que tamanha aflição para parecer diferente, esconde o grande desejo de ser igual, de ser aceito, devemos olhar com mais condescendência as meninas de rosa e os meninos de preto, pois é necessária essa identificação com o grupo, para que eles se reconheçam no outro e que apesar de parecerem clones uns dos outros, cada um deles tem suas peculiaridades e individualidades que merecem ser respeitadas.


Texto: Jeane Veras